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Municípios

Itabuna e seus casos curiosos

Contar a história de Itabuna na base do “era uma vez...” não está mais nos planos dos historiadores modernos, por isso o Agora decidiu selecionar algumas histórias dentro da história. São os bastidores, aquelas coisas que não foram contadas e que muito pouca gente tomou conhecimento.

 

Quem foi o primeiro advogado de Itabuna e o que tem a ver o Direito com a assadura? Qual foi o primeiro enterro com impressão digital de Itabuna? E Dantinhas pedindo um campo de futebol ao milionário Oscar Marinho? E o absurdo do primeiro acidente de trânsito quando Itabuna tinha apenas dois carros?

 

Alguns dos casos selecionados foram um pouco romanceados, mas na sua essência são verdadeiros. Um acréscimo de um ponto aqui ou ali não tornam casos em “causos”.

 

E a família não queria

 

Numa de suas viagens à Bahia, como era conhecida no século passado a nossa capital Salvador, o futuro fundador de Itabuna, Firmino Alves, estava num cartório e comentou com o oficial cartorário que a Vila de Itabuna estava à procura de um advogado, pois nas terras do sem fim havia muitos conflitos de terra, grilagens e crimes de mando.

 

Corria o ano de 1907 e um jovem advogado, recém-formado, ouviu a conversa e se apresentou a Firmino, dizendo que se chamava Lafayette de Borborema e que topava o desafio de vir para aquela terra tão inóspita. Firmino gostou daquele jovem voluntarioso e disse que iria pegar um navio da Bahiana em dois dias e que se o advogado quisesse poderiam viajar juntos.

 

Conta uma das filhas de Lafayette, a professora Helena de Borborema, já falecida, que o difícil foi convencer a família. Dr. Emydio e dona Adelaide, pais de Lafayette, não gostaram nada da ideia de ver o seu menino, com apenas 25 anos, ser comida de onça, flechado por um índio ou morto pelos jagunços daquela região que nunca ouviram falar.

 

Quando desceram do navio em Ilhéus, uma tropa de burros e mulas, das fazendas do coronel Firmino Alves, já esperavam pelo patrão. Ainda é Helena que conta no seu livro “Lafayette de Borborema – uma vida, um ideal”, que seu pai narrava a viagem de Ilhéus para Itabuna como um verdadeiro tormento.

 

No caminho, na altura da fazenda Sempre Viva, chegou a ouvir um tiroteio que assustou o advogado. Mas foi alarme falso pois nada mais era que os jagunços do coronel Henrique Alves, dono da propriedade, saudando a chegada do patrão que viera no mesmo navio.

 

Naquele mesmo dia Firmino deu uma festa para apresentar o primeiro advogado da Vila aos seus amigos, familiares e correligionários. E Lafayette, que chegara a Itabuna com a bunda esfolada, era a principal atração. E as apresentações de boas-vindas iam acontecendo a todo momento. E cada vez que o primeiro advogado da nova Vila de Itabuna se levantava para os cumprimentos o ato era uma lástima: a roupa grudava e desgrudava da esfoladura provocando nele um verdadeiro suplício.

 

Lafayette de Borborema jamais imaginou que os seus principais adversários na labuta pelas causas do Direito não eram os índios, as onças ou os jagunços, mas as assaduras provocadas pelos animais que montava.

 

O primeiro enterro com impressões digitais no caixão

 

Temos que agradecer todos os dias o fato de que se temos uma Catedral é graças a Dona Senhora ou, se quiserem, Dona Laura Conceição e a sua Campanha do Cruzeiro. Pois esta “senhorita” foi a responsável direta pela construção da Igreja de São José, que por sua estrutura, permitiu mais tarde que Itabuna fosse sede de Bispado.

Estávamos na década de 50 quando ela reuniu dezenas de moças e senhoras da cidade que saiam de casa em casa e no comércio, com uma sacolinha, pedindo a doação de apenas um cruzeiro. É claro que uma doação desse valor não dava para construir o santuário, mas na época de festas ela pedia e conseguia doações maiores dos fazendeiros da cidade.

 

O leitor ainda deve estar perguntando sobre o “senhorita” aspeado que encontrou no texto, mas se explica. Dona Senhora era solteira e virgem e quando veio a falecer anos depois, na década de 70, fez algumas exigências para o seu sepultamento. Às virgens era recomendado o ritual de urna funerária na cor branca e ela deveria ser vestida por uma roupa branca sem nenhum detalhe de outra cor.

 

Como atender ao pedido se as mortuárias locais só tinha caixões marrons ou pretos? O empresário José Carlito dos Santos que sucedera os herdeiros da Mortuária Mimia, teve uma ideia. Procurou o seu amigo Pinheirinho, dono de uma concessionária de veículos e pediu que ele desse um jeito de pintar um caixão marrom com tinta automotiva branca.

 

Pinheiro argumentou que mesmo na estufa não daria tempo de secar a pintura, mas Carlito insistiu e poucas horas depois o caixão, imaculadamente branco chegava à Igreja São José onde foi velado o corpo.

 

Aliás, cabe aqui abrir um parênteses para explicar essa questão do velório com a missa de corpo presente. O Bispo de Ilhéus não queria permitir que o velório fosse realizado na futura Catedral e foi preciso uma ameaça do então prefeito Oduque na base do “se o senhor não permitir não pise mais em Itabuna, pois é persona non grata”. Afinal, argumentava Oduque, “se foi ela que construiu a igreja, porque não ser velada lá e ter missa de corpo presente?” O Bispo terminou concordando. Fecha o parênteses.

Como muita gente foi ao velório e à missa, todo mundo queria se encostar no caixão para ver de perto o corpo e se despedir da benfeitora. E ao encostar deixava suas impressões digitais na urna.

 

Daí, surgiu essa história. Foi talvez o primeiro e último caixão pintado de branco da história de Itabuna. Até porque hoje as mortuárias já fabricam caixões brancos e achar virgens está cada vez mais difícil.

 

O irmão de “Xiranha” e o campo de futebol

 

Quem não conheceu José Dantas de Andrade, o Dantinhas? Ele se notabilizou por suas tiradas satíricas, por seu versos e quadrinhas bem humoradas, pelo seu amor a Itabuna, por ser um bancário por acaso, um historiador de muitas histórias e estórias e por ser um desportista de mão cheia.

 

De certa feita, quando presidente da LIDA-Liga Itabunense de Desportos Atléticos, a entidade maior do futebol grapiúna, alguns “amigos”, de sacanagem, lhe disseram que o Coronel Oscar Marinho Falcão, naquela época o homem mais rico de Itabuna, estaria disposto a doar uma área (aquela onde hoje está o colégio CIOMF-Centro Integrado Oscar Marinho Falcão) para a construção do estádio de Itabuna.

 

Ora, Dantinhas era o presidente da LIDA e construir o estádio para o futebol amador de Itabuna era um dos seus maiores sonhos. Concretizada a doação, ele estaria consagrado como o maior benfeitor do futebol de Itabuna. E  ainda mais, como ele soubera que o milionário houvera jogado os seus “babas” na juventude, a oferta era perfeitamente viável.

 

E a pretexto de visitar o velho Oscar, que sofrera uma tentativa de assassinato e que estava com as duas pernas quebradas numa cama em sua casa na rua Paulino Vieira, Dantinhas formou uma comitiva com outros desportistas (segundo contam com a participação de Hemetério Moreira, Gerson Souza, Raimundo Silva Campos e outros), e rumou para prestar solidariedade ao fazendeiro e, claro, formalizar o pedido.

 Chegado lá e depois das formalidades de praxe de visita ao doente, o presidente da LIDA entrou no assunto e segundo testemunhas travou-se o seguinte diálogo, iniciado por Dantinhas:

 

“Coronel, soubemos que o senhor, que já foi bom de bola na juventude (esse elogio era indispensável embora Oscar Marinho tivesse sido um verdadeiro perna de pau), estaria disposto a doar uma área de sua propriedade, ali perto do cemitério, para a construção do nosso campo de futebol. E o segundo motivo da nossa visita é confirmar essa doação, tão desejada pelos itabunenses, ainda mais partindo de um craque do passado.”

 

O coronel, sarcasticamente, e segundo seus contemporâneos um mão de figa dos maiores, respondeu com ironia e com outra pergunta:

“Oh menino, você não tem um irmão que anda vendendo bilhetes de loteria pelas ruas e que é meio tantã?”

 

“Pois é seu Oscar, o Xiranha, meu irmão, não bate bem da bola...”

 

No que foi interrompido pelo coronel:

 

 “Quem não bate bem da bola é você. Então você acha que vou doar um terreno valorizado como esse para essa baboseira de campo de futebol?”

 

E o escabriado José Dantas de Andrade, acompanhado de sua comitiva, desceu as escadas do casarão, resmungando:  “Eu devia ter desconfiado que esse velho muquirana não ia doar terreno nenhum para a Liga”. E morreu jurando que não foram dele uns versos satíricos publicados na época, esculhambando o coronel.  

 

O primeiro acidente automobilístico da cidade

 

Itabuna, na década de 20, só tinha dois carros. Pois não é que com esse número extraordinário de veículos aconteceu o primeiro acidente de trânsito. O primeiro automóvel pertencente ao Coronel Martinho Conceição chegou a Itabuna em 1921 e o outro chegou 4 anos depois. Era um caminhão adquirido pela firma Olegário dos Santos & Cia., vendido mais tarde ao sr. Carpóforo Franco.

 

Os profissionais Amphilóphio Rebouças, nas ferragens e Eliseu Pires Pedra, na marcenaria, transformaram esse carro no primeiro transporte coletivo de Itabuna e foi um sucesso desde a sua inauguração com bênção do Intendente Municipal da época, Henrique Alves dos Reis.

 

Segundo conta Dantinhas em seu livro Documentário Histórico de Itabuna, o auto-bonde fazia o roteiro Norte partindo da praça Adami, pegando a rua do Cemitério (hoje Ruffo Galvão), descia a rua da Cadeia e voltava ao mesmo local pela rua Sete de Setembro (hoje Cinquentenário) e Sul, que ia em sentido contrário também partindo da praça Adami, passava pela rua Osvaldo Cruz, pela rua da Maçonaria e voltava ao ponto de partida também pela Sete de Setembro. O trajeto custava ao passageiro um cruzado.

 

Pois a estreia do auto-bonde, que andava a toda velocidade para não fazer os passageiros esperar nas enormes filas, terminou por causar o primeiro acidente de trânsito da cidade.

 

Diferentemente do que muitos contam, os dois carros não bateram. O motorista do automóvel e do auto-bonde se apavoraram quando se viram frente a frente na travessa Osvaldo Cruz e se desviaram com um deles atingindo a casa do Sr. Antonio Botelho.

 

Não houve vítimas, apenas prejuízos materiais e o caso entrou para a história por ser o primeiro de uma cidade que tinha apenas dois veículos. Isso foi em 1926.

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